O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), investigado na chamada “Farra do INSS”, movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O vice-presidente da entidade é Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O documento foi encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Desse total, R$ 586 milhões correspondem a créditos e R$ 613 milhões a débitos.
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- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou um decreto que autoriza o bloqueio imediato de recursos financeiros movimentados por empresas de apostas esportivas que atuam ilegalmente no Brasil. A medida tem como objetivo enfraquecer a atuação dessas plataformas e ampliar o combate ao crime organizado. O Decreto nº 13.033/2026 foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e estabelece mecanismos para congelar valores mantidos por operadores irregulares de apostas de quota fixa, conhecidas popularmente como bets. Após a conclusão do processo administrativo e o respeito ao direito de defesa, os recursos poderão ser transferidos para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). Pelas novas regras, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, poderá identificar empresas que operam sem autorização e emitir um auto de constatação. A partir desse procedimento, instituições financeiras e meios de pagamento deverão bloquear os recursos existentes nas contas vinculadas às operações ilegais em até 24 horas, além de interromper novas movimentações financeiras. O governo federal afirma que a medida foi viabilizada pela chamada Lei Antifacção e segue a mesma lógica utilizada para combater financeiramente organizações criminosas. Segundo o presidente Lula, o objetivo é impedir que empresas clandestinas continuem movimentando recursos livremente no mercado brasileiro. A fiscalização contará com acompanhamento do Banco Central, enquanto a apuração dos processos ficará sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O órgão analisará provas, recursos e manifestações das empresas investigadas antes da destinação definitiva dos valores apreendidos. De acordo com dados do Ministério da Fazenda, desde 2025 já foram bloqueados quase 50 mil sites de apostas ilegais em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A expectativa do governo é que o novo decreto torne mais eficiente o combate às plataformas clandestinas, atingindo diretamente suas fontes de financiamento. Além do bloqueio financeiro, o governo também ampliou a responsabilização de instituições financeiras e empresas que continuarem processando pagamentos ou divulgando operadores irregulares após notificação oficial das autoridades.
Saques em espécie
O relatório destaca movimentações em espécie, de difícil rastreamento. Nos últimos seis anos, o Sindnapi realizou saques e depósitos que somam R$ 6,5 milhões.
“Esse tipo de movimentação é considerado complexo, dada a dificuldade de rastreamento da origem primária dos recursos e da identificação dos beneficiários finais”, aponta o Coaf.
Empresas de familiares
O Coaf também identificou repasse de R$ 8,2 milhões a empresas ligadas a familiares de dirigentes do sindicato. Os valores beneficiaram companhias associadas a parentes de Milton Baptista de Souza Filho, o Milton Cavalo, atual presidente da entidade, e de João Batista Inocentini, o João Feio, ex-presidente que morreu em agosto de 2023.
Crescimento exponencial de repasses
Segundo o Portal da Transparência, o Sindnapi foi uma das entidades que mais ampliaram a arrecadação via descontos aplicados a aposentados. Os repasses do INSS cresceram 564% em cinco anos, passando de R$ 23,2 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024.
Já um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou falhas na prestação de contas: em uma amostra aleatória, o sindicato não apresentou documentação completa de nenhum associado.
A reportagem tentou contato com o Sindnapi, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.