A Justiça de Goiás realizou nesta quarta-feira (6) mais uma audiência de instrução do caso que investiga a morte da corretora de imóveis Daiane Alves Sousa, de 43 anos, assassinada em Caldas Novas. O principal acusado, o síndico Cléber Rosa de Oliveira, teve a prisão preventiva mantida e segue respondendo ao processo no Tribunal do Júri.
Durante a audiência, conduzida pela juíza Vaneska da Silva Baruki, foram ouvidos familiares da vítima, testemunhas próximas e o delegado André Luiz Barbosa Santos, responsável pelas investigações. Entre os depoimentos prestados estavam os da mãe, irmã e de uma amiga íntima de Daiane. Também falaram testemunhas apresentadas pela defesa, incluindo a esposa e o filho do acusado.
A magistrada determinou que parte dos depoimentos ocorresse sem a presença de Cléber Rosa de Oliveira. A decisão teve como base o artigo 217 do Código de Processo Penal, que permite retirar o réu da audiência quando sua presença pode causar constrangimento ou interferir na espontaneidade das testemunhas. Após os relatos, o síndico voltou a acompanhar a sessão por videoconferência.
Como ainda restam testemunhas a serem ouvidas, a continuidade da audiência foi marcada para o dia 9 de julho de 2026. Na próxima etapa, devem ocorrer novos depoimentos da defesa e também o interrogatório do acusado.
A juíza ainda determinou o envio de um ofício ao Instituto Médico Legal (IML) para complementar o exame cadavérico da vítima. O objetivo é esclarecer se os disparos de arma de fogo ocorreram antes ou depois da morte de Daiane. O prazo para resposta do laudo é de 30 dias.
O crime ocorreu após meses de conflitos entre Daiane e o síndico do condomínio onde ela morava. Segundo as investigações, a corretora desapareceu em 17 de dezembro de 2025, depois de descer ao subsolo do prédio para religar a energia do apartamento. O corpo foi encontrado 42 dias depois, em uma área de mata às margens da GO-213, em avançado estado de decomposição.
De acordo com a Polícia Civil, Cléber Rosa de Oliveira confessou o assassinato. A investigação aponta que ele teria desligado propositalmente o disjuntor do apartamento para atrair Daiane até o subsolo do condomínio, onde ocorreu a emboscada. O caso ganhou grande repercussão em Goiás pela brutalidade do crime e pelo histórico de desentendimentos judiciais entre vítima e acusado.