A Prefeitura de Goiânia e a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) divulgaram, nesta terça-feira (14), um balanço que aponta uma reestruturação profunda na empresa, com destaque para a redução de 85% da dívida acumulada.
O passivo, que era de aproximadamente R$ 2,8 bilhões, caiu para cerca de R$ 366 milhões após uma série de medidas administrativas e financeiras.
De acordo com a gestão municipal, o ano de 2025 foi considerado um “marco de virada” para a companhia, resultado de um processo de reorganização que envolveu corte de despesas, renegociação de débitos e mudanças estruturais na operação.
Reestruturação e corte de custos
Entre as principais ações adotadas está a redução de gastos com pessoal, que gerou uma economia mensal estimada em R$ 14 milhões.
O processo incluiu o desligamento de 1.189 trabalhadores, sendo 721 aposentadorias e 468 cargos comissionados.
Além disso, a companhia implementou uma série de ajustes operacionais, como revisão de contratos, diminuição de despesas com locação de máquinas e manutenção de veículos, além de reestruturação no setor jurídico. No total, a economia operacional chegou a cerca de R$ 189 milhões no período.
Outro ponto destacado foi a renegociação de dívidas com a União, considerada a maior da história da empresa, permitindo parcelamento em até 10 anos e regularização fiscal.
Criação da Comurg Service
Como parte da nova estratégia, a Prefeitura oficializou a criação da “Comurg Service”, braço da companhia voltado à prestação de serviços para outros órgãos públicos, empresas e até municípios.
A proposta é ampliar as fontes de receita e reduzir a dependência financeira da administração municipal, permitindo que a empresa atue em novos mercados e fortaleça sua sustentabilidade econômica.
Segundo o prefeito, o novo modelo também prevê diferenciação visual e operacional, para identificar os serviços prestados fora do escopo tradicional da capital.
Novo contrato e ampliação de serviços
O balanço também detalha um novo contrato com o município, que prevê a prestação de serviços como limpeza urbana, paisagismo, manutenção de espaços públicos e operação do aterro sanitário.
O valor estimado é de R$ 58,2 milhões mensais, podendo alcançar até R$ 3,49 bilhões ao longo de cinco anos. O modelo estabelece pagamento por serviços efetivamente executados, com medições técnicas e maior controle sobre os custos.
Além disso, a companhia ampliou seu portfólio de atuação, passando de 33 para até 56 tipos de serviços, com foco em eficiência, transparência e previsibilidade orçamentária.
Modernização e перспективas
No campo operacional, a Comurg também investiu em modernização da gestão, com sistemas de monitoramento em tempo real, controle por centro de custos e aumento da produtividade das equipes.
A empresa ainda reforçou ações de saúde e segurança do trabalho, com a distribuição de mais de 115 mil equipamentos de proteção individual (EPIs) e realização de inspeções técnicas.
Para os próximos anos, a expectativa é consolidar o novo modelo de gestão, ampliar parcerias e fortalecer práticas de governança e compliance. A meta é transformar a companhia em uma empresa financeiramente equilibrada e com capacidade de expansão, inclusive para atuação fora de Goiânia.