A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito e indiciou o vereador Éder Alberto Jorge Pimenta, de 51 anos, por estupro mediante fraude, após uma investigação sobre um episódio ocorrido em novembro de 2025 envolvendo uma estagiária da Câmara Municipal de Urutaí. O caso ganhou repercussão na região e resultou na perda de cargos e filiação partidária do parlamentar.
De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Pires do Rio (9ª Delegacia Regional), o vereador teria atraído a jovem sob o pretexto de realizar um trabalho fotográfico externo, relacionado às atividades do Legislativo local, e a levado até um motel em Pires do Rio. Assim que percebeu que havia sido enganada, a estagiária gravou discretamente o que ocorria com o seu celular, registrando o momento em que deixou claro que não desejava manter qualquer contato íntimo com o parlamentar.
Segundo os autos, a vítima manifestou sua negativa de forma expressa e repetida, chegando a dizer mais de uma centena de vezes que não consentia com qualquer ato sexual. Ainda assim, de acordo com a Polícia Civil, o vereador prosseguiu com as investidas e praticou condutas que, na avaliação dos investigadores, configuram estupro segundo o artigo 213 do Código Penal, que prevê pena de 6 a 10 anos de reclusão.
O inquérito policial já foi remetido ao Poder Judiciário para que as providências legais cabíveis sejam adotadas, incluindo o prosseguimento da ação penal contra o parlamentar.
Repercussão política e administrativa
Em meio à investigação, o vereador foi expulso do MDB no início de dezembro de 2025. O Diretório Estadual da sigla afirmou, em nota, que repudia qualquer forma de violência contra mulheres e que a decisão se baseou na gravidade das acusações e nas provas apresentadas pela vítima à polícia.
A Câmara Municipal de Urutaí também tomou medidas administrativas: por unanimidade, os outros vereadores aprovaram o afastamento cautelar de Éder Pimenta e sua destituição do cargo de presidente do Legislativo municipal. O então vice-presidente, Lindomar Veloso (Podemos), assumiu a presidência da Casa até o fim do mandato.
A investigação e o indiciamento do parlamentar acontecem em meio a uma crescente atenção pública e institucional para casos de violência contra mulheres no âmbito político e profissional, reforçando a importância de mecanismos de proteção e responsabilização