A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (7), a Operação Véu de Maia para investigar um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado à exploração ilegal de apostas de quota fixa no Brasil. Em Goiás, a ofensiva atinge Aparecida de Goiânia e Goiânia, cidades que estão entre os alvos dos mandados de busca e apreensão.
Segundo a PF, a investigação aponta a existência de 87 empresas suspeitas de atuar como interpostas pessoas, ou seja, empresas utilizadas para movimentar recursos de operadores irregulares de apostas, com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro e dar aparência de legalidade às transações financeiras.
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Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, em endereços localizados em Aparecida de Goiânia, Goiânia, São Paulo, Ribeirão Preto, Porto Alegre e Canoas.
De acordo com a Polícia Federal, as apurações tiveram início a partir de informações repassadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e responsável pela fiscalização do mercado regulado de apostas no país. Os dados indicaram a atuação de dezenas de empresas suspeitas de servirem como “laranjas” para a circulação de recursos oriundos de operadores clandestinos de bets.
Além da movimentação financeira suspeita, a PF também apura a possível remessa irregular de valores ao exterior por meio de criptoativos, o que amplia o alcance da investigação e pode indicar uma estrutura sofisticada de ocultação patrimonial e circulação internacional de dinheiro.
Empresas de fachada e ocultação de recursos
A suspeita dos investigadores é de que o grupo tenha montado uma rede de empresas para mascarar a origem dos valores movimentados por plataformas de apostas que operavam de forma irregular no país. Na prática, essas pessoas jurídicas seriam usadas para pulverizar transações, dificultar o rastreamento dos recursos e viabilizar o envio de dinheiro para fora do Brasil.
Embora a PF não tenha divulgado os nomes das 87 empresas investigadas, a corporação afirma que o material apreendido durante a operação será analisado para aprofundar a identificação dos responsáveis e o fluxo financeiro utilizado no esquema.
Crimes investigados
Os alvos da operação poderão responder, conforme o avanço das investigações, por crimes como:
- lavagem de dinheiro;
- evasão de divisas;
- organização criminosa;
- e outros delitos que eventualmente forem identificados ao longo da apuração.
A Operação Véu de Maia reforça o cerco das autoridades federais ao mercado ilegal de apostas, especialmente após o avanço da regulamentação do setor no Brasil e o aumento da fiscalização sobre operadores não autorizados.