A Polícia Civil de Goiás prendeu a ex-secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia, Luanna Shirley de Jesus Sousa, e o ex-gerente da mesma pasta, Jaisson Veras Normandia, suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção ligado a contratos públicos. As prisões ocorreram na terça-feira (10) durante a Operação Núcleo Paralelo, conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor).
De acordo com as investigações, os dois são apontados como integrantes de uma associação criminosa que teria fraudado contratos firmados pela prefeitura. O esquema envolve a compra de tinta inseticida para uso em políticas públicas, com indícios de irregularidades tanto no processo licitatório quanto na execução do contrato.
Investigação aponta desvio milionário
A Polícia Civil estima que o prejuízo aos cofres públicos possa chegar a R$ 2,7 milhões. O contrato investigado tinha valor aproximado de R$ 4,4 milhões e previa a aquisição e aplicação de 10 mil litros de tinta inseticida, equivalente a mais de 2,5 mil latas do produto. No entanto, segundo as apurações, apenas parte do material teria sido efetivamente entregue.
Entre as irregularidades apontadas pela investigação estão:
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criação de um núcleo informal dentro da administração para acelerar a contratação;
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entrega de produtos em desacordo com o contrato;
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fornecimento de material próximo do vencimento;
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falhas na fiscalização e ausência de controle no almoxarifado;
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inconsistências na execução contratual por parte da empresa contratada.
Mandados e medidas judiciais
Durante a operação, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Brasília. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos investigados para aprofundar as apurações.
Prefeitura e ex-prefeito se manifestam
Em nota, a atual gestão da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos informou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações relacionadas ao contrato firmado em 2024, ainda na gestão anterior.
O ex-prefeito Rogério Cruz afirmou que não é parte no processo judicial e que não participou da execução do contrato investigado. Ele declarou confiar no trabalho das instituições responsáveis e no esclarecimento dos fatos.