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Presidente da Câmara de Rio Verde é preso suspeito de envolvimento em fraudes na área de educação em que delegado foi denunciado

O presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, no sudoeste de Goiás, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (5), em uma ação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) que investiga um esquema de fraudes e contratações irregulares vinculadas à área de educação na cidade. A operação faz parte da quarta fase da “Operação Regra Três”, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul) do MP-GO, com o objetivo de desarticular um suposto grupo criminoso que atuaria desde 2020 em contratações públicas fraudulentas e desvios de recursos públicos.

Prisões e mandados cumpridos

Na ação desta quinta foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em Rio Verde, além de diligências em outras cidades. Entre os presos está o vereador e presidente da Câmara, Idelson Mendes, além de outros agentes públicos e advogados investigados por possível envolvimento no esquema.

O delegado da Polícia Civil, Dannilo Ribeiro Proto, que já estava preso desde fases anteriores da investigação, teve sua prisão preventiva ratificada pela Justiça. Proto é apontado pelo MP-GO como uma figura central no esquema de fraudes.

O que a investigação apura

Segundo o MP-GO, a investigação aponta que os envolvidos teriam articulado uma rede para fraudar procedimentos de contratação de serviços e contratos públicos, entre eles a realização de concursos públicos pela própria Câmara Municipal de Rio Verde e outros contratos relacionados à área da educação. Há indícios de que os documentos oficiais foram manipulados para simular legalidade em processos que beneficiaram uma instituição de ensino contratada irregularmente — possivelmente para lucrar com taxas de inscrição e outras vantagens decorrentes da organização do concurso.

Além disso, as apurações sugerem conflito de interesses entre advogados que atuavam como assessores jurídicos do Legislativo e também como representantes da empresa contratada, o que pode ter facilitado a condução dos procedimentos irregulares.

Amplitude do suposto esquema

A Operação Regra Três começou em agosto de 2025, quando o delegado Dannilo Proto foi preso na primeira fase da investigação por suspeita de liderar um grupo que teria desviado mais de R$ 2,2 milhões em recursos públicos por meio de, pelo menos, 40 contratações fraudulentas ligadas à área de educação e serviços para escolas de Rio Verde.

O MP-GO aponta que os contratos irregulares envolviam dispensas de licitação simuladas, favorecendo uma empresa privada — que teria laços com alguns dos investigados — para prestação de serviços e organização de concursos, entre outros serviços vinculados à educação pública.

Ministério Público e medidas cautelares

O MP-GO reforça que a prisão preventiva de Idelson Mendes e dos demais alvos foi decretada pela Justiça para garantir a ordem pública, evitar interferências nas investigações e interromper as práticas criminosas, após a constatação de que medidas cautelares anteriores não foram suficientes para impedir a continuidade das supostas irregularidades.

Continuidade da investigação

As investigações seguem em andamento para aprofundar a responsabilização penal dos envolvidos e apurar todas as ramificações do esquema, incluindo a extensão dos prejuízos causados ao erário e eventuais vínculos com outros agentes públicos ou privados.