A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (23/1), a “Operação Barco de Papel” para investigar um conjunto de **operações financeiras suspeitas que envolveram cerca de R$ 970 milhões dos recursos do Rioprevidência, fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro.
Segundo o delegado responsável, a investigação apura **nove aplicações em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, que teriam sido feitas entre novembro de 2023 e julho de 2024, com nível de risco considerado incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.
Buscas, mandados e foco da investigação
Na manhã desta sexta, agentes federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro, expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, em endereços ligados a gestores do Rioprevidência.
A ação busca documentos, registros financeiros, comunicações eletrônicas e dispositivos eletrônicos que ajudem a esclarecer como as operações foram estruturadas, quem autorizou os aportes e se houve participação direta de dirigentes nas decisões que expuseram os cofres públicos a riscos elevados.
Volume e características das aplicações
Os recursos aplicados pelo Rioprevidência foram direcionados a Letras Financeiras de longo prazo, com vencimentos previstos para 2033 e 2034, instrumentos considerados muito arriscados para um fundo que deveria priorizar segurança e liquidez.
Esses papéis foram emitidos por um banco privado — o Banco Master — que já está no centro de outras investigações por práticas irregulares que afetaram investidores e fundos de pensão.
Origens do inquérito e contexto fiscal
O inquérito que embasa a operação foi instaurado em novembro de 2025, a partir de um Relatório de Auditoria Fiscal elaborado pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, que apontou indícios de irregularidades na gestão dos recursos do Rioprevidência.
Crimes sob apuração
De acordo com a PF, os investigados podem responder por diversos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como:
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gestão fraudulenta de recursos;
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desvio de recursos públicos;
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indução em erro da administração pública;
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fraude à fiscalização ou ao investidor;
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associação criminosa e corrupção passiva.
Repercussões e resposta institucional
A operação representa um desdobramento das apurações ligadas ao Banco Master, que desde 2025 está sob escrutínio das autoridades após a constatação de irregularidades em operações financeiras envolvendo fundos públicos e privados.
O Rioprevidência ainda não se manifestou oficialmente sobre os detalhes da operação nesta etapa, e as buscas seguem sob a supervisão da Justiça Federal.