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Número de Nikolas Ferreira aparece em investigação do INSS e levanta suspeitas sobre elo político com rede ligada ao Banco Master

Uma investigação em curso promovida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou nos últimos dias um fato que tem chamado atenção de parlamentares e investigadores: o número de telefone do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) surgiu em registros associados ao WhatsApp Business de Daniel Vorcaro, empresário e ex-donode Banco Master, que é um dos principais alvos das apurações envolvendo descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas.

De acordo com documentos técnicos incluídos nos relatórios da CPMI a partir da quebra de sigilo telemático, existe um arquivo chamado “WhatsApp Business Record” que contém a lista de contatos vinculados à conta empresarial utilizada por Vorcaro. Nesse material, consta um número com final 0022 atribuído ao gabinete parlamentar de Nikolas Ferreira.

O que os documentos mostram

Os relatórios da CPMI não indicam que houve mensagens trocadas, ligações ou qualquer interação direta entre o deputado e Vorcaro. O que se sabe até aqui é que o telefone de Nikolas estava simplesmente registrado na lista de contatos do empresário — ou seja, Vorcaro tinha o número dele salvo na agenda vinculada à conta analisada, mas não há, até o momento, evidência de comunicação bilateral.

Ainda assim, a mera presença do número tem despertado atenção dentro da comissão, porque ocorre num momento em que as investigações buscam mapear “redes de relacionamento político, empresarial e institucional” ligadas ao esquema de descontos irregulares no INSS. Esses descontos — em muitos casos vinculados a contratos de empréstimos consignados ou cobranças associativas não autorizadas — já afetaram milhões de beneficiários e geraram uma crise no instituto.

Banco Master e o escândalo dos consignados

O caso envolvendo o Banco Master, cuja liquidação e investigação estão em andamento, vem sendo tratado como um dos pontos centrais desse escândalo. O Instituto Nacional do Seguro Social suspendeu o repasse de cerca de R$ 2 bilhões ao banco depois de identificar irregularidades em aproximadamente 254 mil contratos de crédito consignado firmados entre 2019 e 2025, muitos sem comprovação documental adequada ou com procedimentos de validação deficientes.

Essas apurações ganharam ainda mais força depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou o sigilo de grande parte das investigações sobre o caso Master, autorizando a análise de quebras de sigilo bancário e telemático de dezenas de pessoas e entidades ligadas ao banco.

Repercussões políticas e questionamentos

A reportagem que originou a revelação procurou o gabinete de Nikolas Ferreira para comentar a presença do seu número nos registros, incluindo perguntas sobre se houve qualquer tipo de interlocução com Vorcaro ou relação com os trabalhos da CPMI do INSS. Até o fechamento da publicação, não havia resposta oficial do deputado.

Nos bastidores da comissão, parlamentares mencionaram a hipótese de que o caso do INSS poderia se conectar com outras frentes do escândalo do Banco Master, inclusive na análise de eventuais vínculos entre estruturas financeiras paralelas e atores políticos ou instituições religiosas.

Além disso, a investigação levantou questionamentos sobre entidades como a Igreja Batista da Lagoinha, da qual Nikolas é publicamente membro, e empresas relacionadas a ela, como a Clava Forte Bank S/A. Parlamentares solicitaram ao Banco Central esclarecimentos sobre a atuação dessa empresa, sua autorização para operar e possíveis vínculos com o Banco Master ou pessoas próximas a Vorcaro.