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Flávio Dino cita 17 municípios de cinco estados em apuração sobre emendas ligadas a Valdemar Costa Neto

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino listou 17 municípios de cinco estados brasileiros em uma decisão que amplia a apuração sobre o uso de emendas parlamentares ligadas ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. As cidades citadas estão em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Amapá e Rio Grande do Sul e aparecem em documentos analisados no âmbito da investigação que apura suspeitas de irregularidades na destinação de recursos públicos.

A decisão é mais um desdobramento do inquérito que mira a atuação de Valdemar no suposto direcionamento de emendas parlamentares, mesmo sem mandato eletivo. Segundo as investigações, há indícios de que recursos teriam sido destinados a municípios com falhas de rastreabilidade, inconsistências documentais e ausência de informações completas sobre autoria, execução e beneficiários finais das verbas.

O foco da apuração está na transparência da aplicação dos recursos e na eventual existência de um esquema de redirecionamento de emendas por fora dos mecanismos formais do Orçamento. Em decisões anteriores, Dino já havia determinado o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto e a suspensão de despesas vinculadas a emendas sob suspeita.

No novo despacho, o ministro menciona os municípios como parte do conjunto de entes que precisam prestar esclarecimentos sobre repasses recebidos e a forma como os recursos foram executados. A investigação também busca identificar se houve omissão de informações nos sistemas oficiais do governo federal e se os repasses foram usados em finalidades diferentes das inicialmente previstas.

As suspeitas foram reforçadas a partir de documentos e planilhas obtidos pela Polícia Federal, que apontam possível atuação de operadores políticos na definição do destino das verbas. O material apreendido, segundo a investigação, sugere a existência de uma estrutura informal para intermediar a distribuição de emendas parlamentares, inclusive com suposta influência de Valdemar Costa Neto.

Além de cobrar explicações dos municípios envolvidos, Dino vem endurecendo o controle sobre as chamadas emendas Pix e outros repasses sem rastreabilidade suficiente. Em decisões recentes, o ministro também autorizou a aplicação de multa a estados e municípios que não apresentarem planos de trabalho, relatórios de gestão e documentos capazes de demonstrar a correta aplicação do dinheiro público.

A apuração ainda está em fase inicial, mas já mobiliza órgãos como a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). A depender do avanço das diligências, o caso pode resultar em novas medidas cautelares, abertura de inquéritos específicos e responsabilização de agentes públicos e privados envolvidos no uso irregular das emendas.