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Fachin antecipa retorno a Brasília para gerir crise no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, interrompeu seu recesso e antecipou o retorno a Brasília na noite de segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, para enfrentar a crise interna gerada pelo inquérito do Banco Master, que tem provocado desgaste e exposição da Corte.

Fachin estava oficialmente de férias, como parte do recesso judiciário de janeiro, mas decidiu regressar antes do previsto alegando a interlocutores que “o momento exige” sua presença na capital federal diante do cenário sensível envolvendo o caso. Durante o recesso, ele já vinha mantendo contato com outros ministros do STF por telefone e mensagens, mas optou por voltar para articular pessoalmente soluções institucionais.

Segundo relatos de pessoas próximas à Corte, a antecipação se deve ao desgaste que a condução do processo pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito, tem causado nas relações do STF com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Decisões consideradas atípicas — como centralizar no Supremo investigações que tramitavam em primeira instância, impor elevado sigilo e determinar que todo o material apreendido fosse enviado diretamente ao gabinete de Toffoli — geraram críticas dentro e fora do judiciário e intensificaram a tensão institucional.

A antecipação ocorre em meio a debate sobre a possível necessidade de se discutir a manutenção de Toffoli como relator do caso Master, com representantes da PF e entidades criminais questionando algumas das decisões tomadas por ele na condução do processo.

Após desembarcar em Brasília, Fachin alinhou sua agenda e viajou, na manhã de terça-feira, 20 de janeiro, para São Luís (MA), onde deve se reunir com o ministro Flávio Dino.

Durante o recesso, Fachin passou temporariamente a presidência do STF ao vice-presidente, Alexandre de Moraes, que responde pelos casos urgentes até a retomada oficial dos trabalhos do Judiciário, prevista para 2 de fevereiro de 2026.

A movimentação de Fachin busca, sobretudo, encontrar uma saída institucional que preserve a imagem da Corte e restabeleça relações mais estáveis com as outras instituições envolvidas nas investigações e na crise desencadeada pelo caso Bank Master.