O governo dos Estados Unidos avalia a possibilidade de voltar a aplicar sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, mecanismo utilizado para punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. A informação foi revelada pela colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles.
Segundo fontes ligadas à administração do presidente Donald Trump, a hipótese de retomar as punições vem sendo discutida internamente nos últimos meses. Moraes chegou a ser sancionado em julho de 2025, medida que impôs restrições para o uso de serviços de empresas americanas e determinou o congelamento de eventuais bens ou ativos nos Estados Unidos. As sanções também atingiram a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa ligada a ela. As restrições, no entanto, foram suspensas em dezembro do mesmo ano.
Dentro do governo americano, o acompanhamento das decisões e da atuação do ministro brasileiro está sob responsabilidade de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado. Ele foi nomeado para o cargo no fim de fevereiro de 2026 e já vinha influenciando a política externa do governo Trump em relação ao Brasil desde o início do mandato do republicano, em janeiro de 2025.
Recentemente, Moraes autorizou Beattie a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em uma ala do Complexo da Papuda, em Brasília. A viagem do representante americano à capital federal também inclui encontros com políticos da oposição.
Nos bastidores, a principal fonte de tensão entre Moraes e o governo dos Estados Unidos não estaria relacionada diretamente ao processo criminal envolvendo Bolsonaro, mas sim ao histórico de conflitos do ministro com grandes empresas de tecnologia americanas. Um dos episódios citados foi a decisão que suspendeu temporariamente a rede social X (antigo Twitter) no Brasil após disputas judiciais com a plataforma controlada por Elon Musk.
A Lei Magnitsky permite que o governo norte-americano imponha punições financeiras e restrições de transações a indivíduos estrangeiros considerados responsáveis por violações de direitos ou práticas consideradas abusivas. Caso as sanções sejam retomadas, Moraes voltaria a enfrentar limitações para manter relações comerciais ou financeiras com empresas sediadas nos Estados Unidos