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Escritório ligado a Ibaneis negocia até R$ 85 milhões em honorários com fundos associados ao Banco Master

O escritório de advocacia vinculado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, realizou a negociação de honorários advocatícios que podem chegar a R$ 85 milhões com fundos de investimento ligados ao escândalo envolvendo o Banco Master.

A operação envolve a cessão de créditos oriundos de precatórios — valores que o poder público é obrigado a pagar após decisões judiciais. Na prática, esse tipo de negociação funciona como uma antecipação: o escritório vende o direito de receber esses honorários a um fundo por um valor menor, recebendo o dinheiro de forma imediata, enquanto o comprador assume o risco e aguarda o pagamento futuro.

Parte dessas transações, segundo revelações recentes, inclui um contrato firmado em maio de 2024, no qual honorários avaliados em cerca de R$ 38 milhões foram vendidos a um fundo ligado à gestora Reag, empresa apontada em investigações como peça-chave no esquema financeiro relacionado ao Banco Master.

Além desse contrato específico, há outras negociações semelhantes que, somadas, podem atingir o montante de R$ 85 milhões em honorários vinculados ao escritório.

A Reag e fundos associados entraram no radar de autoridades após suspeitas de participação em fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e operações irregulares envolvendo o Banco Master. A gestora, inclusive, foi alvo de medidas do Banco Central, que determinou sua liquidação por irregularidades no sistema financeiro.

O caso ganhou repercussão política e jurídica. Parlamentares já acionaram o Supremo Tribunal Federal solicitando investigação sobre possíveis relações entre o governador e os fundos envolvidos, além da compatibilidade dos valores negociados com os padrões de mercado.

Em meio às suspeitas, a defesa de Ibaneis Rocha afirma que ele está afastado do escritório desde 2018 e que não participou das negociações. Segundo os advogados, o governador não tem conhecimento direto sobre os contratos firmados posteriormente e não mantém relação com os representantes das empresas envolvidas.

O episódio se soma à crise envolvendo o Banco Master, que já é alvo de investigações por um esquema bilionário no sistema financeiro, ampliando a pressão política sobre o governo do Distrito Federal e levantando questionamentos sobre possíveis conexões entre agentes públicos e operações financeiras sob suspeita.