O delegado da Polícia Civil de Goiás, Humberto Teófilo, afirmou que foi afastado da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia após receber ameaças de morte atribuídas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo ele, a decisão foi tomada pela corporação por falta de condições operacionais para garantir sua segurança no exercício da função.
De acordo com o delegado, as ameaças começaram a surgir em fevereiro deste ano e foram identificadas por meio de levantamentos da inteligência policial. Diante da gravidade da situação, ele solicitou medidas de proteção, incluindo escolta armada permanente. No entanto, segundo relatou, a Polícia Civil não teria conseguido oferecer esse tipo de suporte.
Teófilo explicou que a corporação chegou a disponibilizar um veículo blindado, mas não foi possível garantir a escolta armada que ele considerava necessária para continuar exercendo atividades operacionais na Central de Flagrantes. Com isso, a alternativa adotada foi seu afastamento da unidade.
Entre os episódios que aumentaram a preocupação do delegado está o recebimento, dentro da própria delegacia, de uma panela com comida que poderia estar envenenada, supostamente enviada por integrantes da facção criminosa. O caso reforçou o alerta sobre possíveis riscos à sua integridade física.
A investigação das ameaças está sendo conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), responsável por identificar os autores e eventuais mandantes das intimidações.
Com o afastamento da função operacional, Humberto Teófilo deverá passar a exercer atividade administrativa na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), localizada no Setor Aeroviário, em Goiânia. Ele afirmou que ainda não sabe exatamente em qual setor será lotado, mas acredita que não retornará tão cedo a um cargo operacional.
O delegado também demonstrou preocupação com o avanço do crime organizado no país. Segundo ele, facções como o PCC e o Comando Vermelho já possuem forte atuação em diferentes regiões, o que aumenta os riscos para agentes públicos envolvidos no combate ao tráfico e ao crime organizado.
Antes das ameaças, Teófilo atuava diretamente na Central de Flagrantes, unidade responsável por receber e registrar ocorrências relacionadas a prisões realizadas por forças de segurança. A mudança de função marca uma alteração significativa em sua atuação dentro da Polícia Civil de Goiás.