A CPI do Crime Organizado no Senado teve mudanças de última hora em sua composição nesta terça-feira (14), poucas horas antes da votação do relatório final, que incluía pedidos de indiciamento contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República. A movimentação foi interpretada como uma articulação política para influenciar o desfecho da comissão.
Mudanças na composição
As alterações envolveram a substituição de senadores da oposição por nomes ligados à base governista. Entre as principais trocas:
- Saíram: Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES);
- Entraram: Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE);
- Também houve mudanças de titularidade e suplência dentro da comissão.
As substituições foram feitas no mesmo dia da votação e ampliaram a presença de parlamentares alinhados ao governo no colegiado, que é composto por 11 membros titulares.
Relatório mirava ministros do STF
O parecer final, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pedia o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo o relatório, os citados teriam adotado condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções públicas, o que motivou a inclusão dos nomes no documento final da CPI.
Reações e críticas
As mudanças foram alvo de críticas de parlamentares da oposição, que classificaram a manobra como uma tentativa de “enterrar” o relatório antes da votação.
Por outro lado, ministros do STF reagiram ao conteúdo do parecer. Gilmar Mendes afirmou que o pedido de indiciamento não tem base legal e representa extrapolação das competências da comissão.
Resultado da votação
Após horas de discussão, o relatório acabou rejeitado pela maioria dos integrantes da CPI. O placar foi de 6 votos contrários e 4 favoráveis.
A derrota do parecer consolidou o impacto das mudanças na composição do colegiado, que ocorreram às vésperas da decisão final e foram determinantes para o resultado.
Contexto da CPI
Instalada em 2025, a CPI tem como objetivo investigar a atuação de organizações criminosas no país, incluindo facções, milícias e esquemas de lavagem de dinheiro, além de possíveis conexões com agentes públicos.